Melhores faculdades da China: custos e como estudar lá

Summary
Tsinghua, Peking e Zhejiang lideram o ranking das universidades chinesas em 2026. Alunos internacionais se candidatam direto a cada universidade, pagam de R$ 15 mil a R$ 32 mil por ano de anuidade.
Estados Unidos, Canadá e Europa costumam ser os primeiros destinos de quem pensa em fazer faculdade fora do Brasil. A China raramente entra nessa lista, embora suas melhores universidades estejam entre as mais bem avaliadas do mundo.
Vantagens de estudar na China
Os principais motivos para considerar a China são:
- Qualidade reconhecida no mundo: Tsinghua (18ª), Peking (22ª), Zhejiang (24ª) e Shanghai Jiao Tong (27ª) estão entre as 30 melhores universidades do mundo no Ranking de Xangai de 2026, que mede principalmente a produção e o impacto da pesquisa.
- Centro de tecnologia e inovação. Nove das dez instituições que mais produzem pesquisa de alta qualidade no mundo são chinesas, segundo o Nature Index 2026, e o país recebeu quase metade dos pedidos de patente do mundo em 2024, segundo a OMPI. Uma boa opção para engenharia, computação e inteligência artificial.
- Mandarim e mercado de trabalho: A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Falar mandarim e conhecer o país de perto é útil em áreas como comércio exterior, agronegócio, tecnologia, diplomacia e pesquisa.
- Cursos em inglês: Todas as 30 melhores universidades do país oferecem mestrado ou doutorado em inglês, e 22 delas também têm graduação em inglês, em áreas como engenharia, negócios e medicina. A tabela do ranking, mais abaixo, mostra quais são.
- Custo e bolsas: As anuidades são acessíveis, e o governo chinês oferece bolsas integrais a estudantes estrangeiros.
- Ambiente internacional: Cerca de 380 mil estrangeiros, de 191 países, estudavam na China no ano letivo 2024–2025, segundo dados do Ministério da Educação chinês publicados pelo China Daily.
Como é estudar na China
O ano letivo começa em setembro e tem dois semestres. O segundo começa entre fevereiro e março, depois do Ano-Novo Chinês. A maioria das graduações dura quatro anos, e medicina e alguns cursos de arquitetura levam mais tempo.
Pelas regras do Ministério da Educação da China, mesmo nos cursos em inglês o estudante internacional tem aulas obrigatórias de mandarim e uma disciplina sobre história, sociedade e cultura da China. Além disso, em geral, os alunos moram em dormitórios no campus.
Como estudar na China: o processo de candidatura
Os estudantes chineses entram na universidade pelo gaokao, o vestibular nacional, que em 2026 teve 12,9 milhões de inscritos. A nota define a quais instituições cada um pode concorrer, dentro de vagas reservadas para cada província.
Alunos internacionais não fazem essa prova. Eles se candidatam diretamente a cada universidade, que publica o próprio edital, analisa os documentos, aplica prova ou entrevista.
Pela regra em vigor desde 2021, filhos de pai ou mãe com cidadania chinesa e pessoas que já tiveram nacionalidade chinesa também podem se candidatar como estrangeiros, desde que tenham passaporte de outro país há pelo menos quatro anos e tenham morado fora da China em pelo menos dois dos últimos quatro anos.


Requisitos para fazer faculdade na China
Cada universidade define suas regras, mas os requisitos mais comuns para a graduação são:
- Passaporte de outro país que não a China;
- Ensino médio completo, com diploma e histórico escolar traduzidos para inglês ou chinês (em geral, também apostilados em cartório);
- Idade mínima de 18 anos até o início das aulas (menores de idade precisam de um responsável que more na China);
- Proficiência no idioma do curso: HSK, o exame oficial de chinês, em geral nível 4 ou 5, para cursos em chinês, ou TOEFL e IELTS para cursos em inglês;
- Carta de apresentação e cartas de recomendação, em muitas universidades;
- Resultado de um exame acadêmico, como CSCA, SAT ou IB (se quiser usar o ENEM, confirme antes com a universidade);
- Comprovação de renda, para quem não tem bolsa;
- Exame médico em formulário oficial chinês.
No mestrado e no doutorado, no lugar do exame acadêmico, a universidade pede o diploma do curso anterior, um plano de estudos ou de pesquisa e, em muitos casos, uma carta de aceite de um orientador.
CSCA: o exame novo para a graduação
O CSCA é um exame criado pelo governo chinês para avaliar estrangeiros que querem fazer graduação no país. Desde 2026, é obrigatório para quem pede a bolsa do governo chinês, e algumas universidades, como a Fudan, já o exigem de todos os candidatos.
A previsão oficial é que passe a valer para todos os estrangeiros a partir de 2028. Ele tem provas de chinês, matemática, física e química (cada curso define quais são necessárias), as de exatas podem ser feitas em inglês, e a aplicação é principalmente on-line, cinco vezes por ano. Mais informações em csca.cn.
Passo a passo
- Planeje com antecedência: Comece de 12 a 18 meses antes do início das aulas e defina se será graduação, mestrado ou intercâmbio, a área e o idioma do curso.
- Faça as provas exigidas: No Brasil, o HSK é aplicado em centros credenciados, muitos deles nos Institutos Confúcio de universidades brasileiras.
- Inscreva-se: A candidatura é feita no site de cada universidade, e as inscrições costumam abrir no segundo semestre do ano anterior. os resultados costumam sair entre janeiro e maio.
- Tire o visto: Com a carta de admissão e o formulário enviado pela universidade, peça o visto de estudante X1 na embaixada ou em um consulado da China. A isenção de visto para brasileiros vale só para viagens de até 30 dias e não serve para estudar.
- Regularize-se ao chegar: Valide o exame médico, contrate o seguro-saúde e, em até 30 dias, peça a autorização de residência.
As melhores universidades da China em 2026
Publicado pela ShanghaiRanking, a mesma organização do Ranking de Xangai, o BCUR avalia mais de mil instituições chinesas com base em ensino, pesquisa, formação de profissionais e inovação e publica a lista das 590 melhores. Universidades de Hong Kong e de Macau não entram na classificação.
Na edição de 2026, divulgada em abril, Tsinghua (1.087,1 pontos) e Peking (1.036,3) ficaram bem à frente da Zhejiang (895,6). As três ocupam o pódio desde a primeira edição, em 2015.
| Posição | Universidade | Cidade | Cursos em inglês |
|---|---|---|---|
| 1 | Tsinghua University | Pequim | Pequim |
| 2 | Peking University | Pequim | Pós-graduação |
| 3 | Zhejiang University | Hangzhou | Graduação e pós |
| 4 | Shanghai Jiao Tong University | Xangai | Graduação e pós |
| 5 | Fudan University | Xangai | Graduação e pós |
| 6 | Nanjing University | Nanquim | Pós-graduação |
| 7 | University of Science and Technology of China | Hefei | Pós-graduação |
| 8 | Wuhan University | Wuhan | Graduação e pós |
| 9 | Huazhong University of Science and Technology | Wuhan | Graduação e pós |
| 10 | Xi'an Jiaotong University | Xi'an | Graduação e pós |
Destaques do top 10
Tsinghua e Peking ficam lado a lado no distrito de Haidian, em Pequim. A Tsinghua, fundada em 1911, é a principal referência chinesa em engenharia e computação, e a Peking, de 1898, é mais conhecida por humanidades, ciências e medicina. As duas oferecem mestrados em inglês com bolsa integral: o Schwarzman Scholars e a Yenching Academy, respectivamente.
Zhejiang, Shanghai Jiao Tong e Fudan ficam no leste do país. A Zhejiang, em Hangzhou, tem cursos em praticamente todas as áreas. A Shanghai Jiao Tong se destaca em engenharia, medicina e administração e foi onde surgiu o Ranking de Xangai, em 2003. A Fudan, também em Xangai, é conhecida por economia, ciências sociais, jornalismo e medicina.
Da 6ª à 10ª posição, os destaques são a Nanjing University (física, química e astronomia), a University of Science and Technology of China (física e tecnologias quânticas), a Wuhan University (direito e sensoriamento remoto, área que usa imagens de satélite para mapear o território), a Huazhong University of Science and Technology (engenharia e medicina) e a Xi'an Jiaotong University (engenharia elétrica e energia).


Quanto custa estudar na China
Os principais custos são anuidade, moradia e despesas do dia a dia.
Anuidade
Nas cinco melhores universidades do ranking, a anuidade da graduação para estrangeiros fica entre 19.800 e 42.000 yuans na maioria dos cursos (cerca de R$ 15 mil a R$ 32 mil):
- Tsinghua: 30.000 yuans (cerca de R$ 23 mil); economia, finanças, administração custa 26.000 yuans, e artes, 40.000;
- Peking: 26.000 a 30.000 yuans (cerca de R$ 20 mil a R$ 23 mil);
- Zhejiang: 19.800 a 29.800 yuans (cerca de R$ 15 mil a R$ 23 mil);
- Shanghai Jiao Tong: 24.800 yuans (cerca de R$ 19 mil);
- Fudan: 23.000 a 42.000 yuans (cerca de R$ 18 mil a R$ 32 mil).
Medicina e alguns programas especiais custam mais. No mestrado e no doutorado, a anuidade na Peking e na Zhejiang vai de 22.800 a 40.000 yuans (cerca de R$ 17 mil a R$ 31 mil).
Moradia e custo de vida na China
Morar no campus é a opção mais barata. Na Tsinghua, um quarto duplo custa 40 yuans por dia (cerca de R$ 920 por mês), e um individual, o dobro. Para comida, transporte e lazer, uma boa referência é a mensalidade que o governo chinês paga aos seus bolsistas de graduação: 2.500 yuans (cerca de R$ 1.900). Pequim, Xangai e Shenzhen são as cidades mais caras.
Somando anuidade, moradia, seguro-saúde e despesas, um ano de graduação na Tsinghua, com quarto duplo, custa cerca de 75.000 yuans (aproximadamente R$ 58 mil), sem contar as passagens.
Outros gastos
- Inscrição: 800 yuans por universidade (cerca de R$ 610), nas cinco primeiras do ranking.
- CSCA: 450 a 700 yuans (cerca de R$ 340 a R$ 540), conforme o número de matérias.
- HSK com prova oral (pago em reais): R$ 380 no nível 4 e R$ 550 no nível 5, no Instituto Confúcio da UFC (o valor varia entre centros).
- Visto (pago em reais): R$ 475, valor reduzido que vale até 31 de dezembro de 2026.
- Autorização de residência: 400 a 1.000 yuans (cerca de R$ 310 a R$ 770), conforme a validade.
- Traduções, apostilamento e exame médico: variam conforme o caso.
Bolsas de estudo
O ensino superior não é gratuito na China, nem para os próprios chineses. Para estrangeiros, a forma de estudar sem pagar é a bolsa do governo chinês (Chinese Government Scholarship). Na versão integral, ela cobre anuidade, moradia e seguro-saúde e paga uma mensalidade que vai de 2.500 yuans na graduação a 3.500 yuans no doutorado (cerca de R$ 1.900 a R$ 2.700).
A bolsa não depende de necessidade financeira: o edital não pede comprovação de renda. Além dos requisitos de admissão da universidade, para se candidatar pela embaixada é preciso:
- ter menos de 25 anos para a graduação, 35 para o mestrado ou 40 para o doutorado;
- ter concluído, com boas notas, o ensino médio (para a graduação), a graduação (para o mestrado) ou o mestrado (para o doutorado);
- comprovar o idioma do curso: HSK nível 4 para mestrado e doutorado em chinês, ou TOEFL e IELTS para cursos em inglês;
- apresentar o resultado do CSCA, no caso da graduação;
- ter uma carta de aceite, ou de intenção de aceite, de uma universidade chinesa.
A seleção considera o desempenho acadêmico, uma entrevista feita pela embaixada e a avaliação da universidade escolhida. Depois de aprovado, o bolsista passa por uma avaliação anual da universidade, que decide se ele continua com a bolsa.
No Brasil, a inscrição é feita na plataforma Study in China, escolhendo a Embaixada da China no Brasil como destino do pedido (código 0761). No último ciclo, o prazo terminou em 5 de fevereiro de 2026. A concorrência é alta: em 2024–2025, só cerca de 8% dos estrangeiros na China tinham essa bolsa. Também vale procurar bolsas das próprias universidades e dos governos provinciais.
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Dúvidas frequentes
As faculdades na China aceitam o ENEM?
Não há uma regra única, e o ENEM não é exigido. Algumas universidades, como a Peking University, aceitam resultados de exames nacionais do país de origem do candidato, o que pode incluir o ENEM.
É possível estudar medicina na China?
Sim, em chinês ou em inglês. A graduação em medicina em inglês, conhecida como MBBS, só pode ser oferecida por universidades autorizadas pelo Ministério da Educação da China. O curso costuma durar seis anos, e o diploma precisa passar pelo Revalida para que o formado possa exercer a medicina no Brasil.
Todo estudante estrangeiro precisa fazer um ano preparatório?
Não. Em geral, quem já tem o nível de chinês exigido pela universidade, ou vai estudar em inglês, entra direto na graduação. O ano preparatório é obrigatório em dois casos:
- Bolsistas do governo chinês em graduações em chinês: fazem um ano de preparação em uma das dez universidades indicadas pelo governo, a não ser que tenham feito o ensino médio em chinês ou já tenham o HSK exigido pela universidade.
- Universidades que incluem a preparação no currículo: a Nankai, por exemplo, adota o modelo “1+3”, com um ano de preparação e três de curso para todos os estrangeiros.
Para os demais, a preparação é opcional.
Dá para trabalhar na China depois de se formar?
Em alguns casos, sim. Desde 2017, estrangeiros que concluem mestrado ou doutorado em uma universidade chinesa podem pedir autorização de trabalho sem ter experiência profissional. É preciso ter se formado há no máximo um ano, ter média de pelo menos 80 em 100 (ou B+/B no sistema de letras) e uma oferta de emprego na área. A autorização vale por um ano e pode ser renovada.
Existem universidades estrangeiras na China?
Existem universidades criadas em parceria com instituições estrangeiras, como a NYU Shanghai, a Duke Kunshan University e a Xi’an Jiaotong-Liverpool University. Elas ensinam em inglês e têm processos seletivos próprios.


