Faculdade em Portugal: como entrar, melhores universidades e custos

Summary
A Universidade de Lisboa e a do Porto lideram o ranking da US News em Portugal. Veja como entrar em uma faculdade portuguesa com ou sem cidadania europeia, que nota do ENEM as universidades pedem e quanto custa estudar no país.
Para muitos brasileiros, Portugal é o primeiro país que vem à cabeça quando o assunto é fazer faculdade fora. A língua é a mesma, a adaptação costuma ser mais tranquila e as principais universidades portuguesas aparecem bem posicionadas nos rankings internacionais.
O caminho até uma faculdade em Portugal, porém, muda bastante conforme a nacionalidade do aluno. Ter ou não cidadania europeia define como ele se candidata, quais provas faz e quanto paga por ano, por isso vale entender cada caso antes de montar a candidatura.


Vantagens de estudar em Portugal
Os principais motivos para considerar Portugal são:
- Mesmo idioma: a maior parte das licenciaturas, como são chamadas as graduações em Portugal, é dada em português, o que facilita a adaptação às aulas e à rotina no país.
- Nota do ENEM: universidades como a de Lisboa e a do Porto aceitam o ENEM na seleção de estudantes internacionais.
- Diploma no padrão europeu: os cursos seguem o Processo de Bolonha, adotado em quase toda a Europa, o que facilita o reconhecimento do diploma e a continuação dos estudos, como um mestrado, em outros países do continente.
- Custo menor que o de outros destinos: mesmo para estrangeiros, as anuidades das universidades públicas ficam bem abaixo das cobradas de alunos internacionais nos Estados Unidos e no Reino Unido.
- Comunidade brasileira: os brasileiros são a maior comunidade estrangeira do país, com 493.622 residentes no fim de 2025, segundo a AIMA, a agência portuguesa de migrações.
Como funciona o ensino superior em Portugal
O ensino superior português tem dois tipos de instituição: as universidades, com foco na formação científica e na pesquisa, e os institutos politécnicos, com formação mais prática e voltada para a profissão. Os dois podem ser públicos ou privados.
Os cursos são organizados em:
- Licenciatura: é o nome da graduação em Portugal e dura de três a quatro anos, conforme o curso.
- Mestrado: é feito depois da licenciatura e dura, em geral, de um ano e meio a dois anos.
- Mestrado integrado: junta licenciatura e mestrado em um único curso, de cinco a seis anos, e só existe em Medicina, Medicina Dentária, Medicina Veterinária, Ciências Farmacêuticas e Arquitetura.
- Doutoramento: equivale ao doutorado e costuma durar de três a quatro anos.
O ano letivo começa em setembro e termina em julho. Ele é dividido em dois semestres, geralmente com aulas de setembro a dezembro e de fevereiro a maio, e cada semestre termina com um período de exames.
As notas vão de 0 a 20, e é preciso tirar pelo menos 10 para ser aprovado em uma disciplina. Quem reprova na época normal de exames tem uma segunda chance na época de recurso, que vem logo em seguida.
Melhores faculdades de Portugal
O ranking Best Global Universities 2026-2027, da US News, avalia as universidades principalmente pelo desempenho em pesquisa e pela reputação entre acadêmicos. Dezessete instituições portuguesas entraram na lista, e estas são as dez melhores universidades de Portugal segundo a publicação:
| Posição em Portugal | Universidade | Cidade | Posição no mundo |
|---|---|---|---|
| 1 | Universidade de Lisboa | Lisboa | 245 |
| 2 | Universidade do Porto | Porto | 290 |
| 3 | Universidade de Coimbra | Coimbra | 444 |
| 4 | Universidade Nova de Lisboa | Lisboa | 535 |
| 5 | Universidade do Minho | Braga | 668 |
| 6 | Universidade de Aveiro | Aveiro | 673 |
| 7 | Universidade Católica Portuguesa | Lisboa | 1.112 |
| 8 | Iscte – Instituto Universitário de Lisboa | Lisboa | 1.359 |
| 9 | Universidade da Beira Interior | Covilhã | 1.380 |
| 10 | Instituto Politécnico do Porto | Porto | 1.443 |
Universidade de Lisboa
A Universidade de Lisboa (ULisboa) é a maior do país, com 51.590 estudantes no ano letivo 2024/2025, cerca de 17,8% deles estrangeiros. Ela reúne 19 escolas, entre faculdades e institutos, como o Instituto Superior Técnico, de engenharia, a Faculdade de Direito, a Faculdade de Medicina e o ISEG, de economia e gestão. São 105 licenciaturas e 7 mestrados integrados.
Universidade do Porto
Tem 35.800 estudantes, 14% deles internacionais, distribuídos por 15 faculdades e uma escola de negócios, a Porto Business School.
A UPorto inclui 53 licenciaturas e 6 mestrados integrados, em áreas como engenharia, arquitetura, economia, direito e ciências. Medicina é oferecida por duas escolas: a Faculdade de Medicina (FMUP) e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).
Existem faculdades em Portugal com ensino em inglês?
Existem, mas na graduação ainda são exceção. Os cursos totalmente em inglês se concentram em economia e gestão, como os da Nova SBE, faculdade da Universidade Nova de Lisboa, e os da Católica Lisbon, da Universidade Católica Portuguesa.


Como entrar em uma faculdade em Portugal
Para as universidades portuguesas, o que define o processo de admissão é a nacionalidade. Quem tem cidadania de um país da União Europeia não pode se candidatar como estudante internacional, mesmo que tenha feito todo o ensino médio no Brasil.
Sem cidadania europeia: concurso para estudantes internacionais
Quem tem apenas nacionalidade brasileira entra pelo Estatuto do Estudante Internacional, um concurso especial com vagas reservadas para estrangeiros.
A candidatura é feita direto no site de cada universidade, em fases a partir de janeiro: para 2026/2027, a primeira fase na Universidade de Lisboa e na do Porto foi de 2 de janeiro a 6 de fevereiro de 2026. Na UPorto, foram 712 vagas para estudantes internacionais, em 57 dos 59 cursos.
Cada universidade define as próprias regras, mas os requisitos costumam ser estes:
- Ensino médio completo: diploma e histórico escolar que deem acesso ao ensino superior no Brasil.
- Exame nas áreas do curso: nota de um exame aceito pela universidade, como o ENEM ou o IB, nas áreas de conhecimento exigidas pelo curso escolhido.
- Documentos apostilados: diploma e histórico precisam da Apostila de Haia, feita no Brasil.
- Declaração de elegibilidade: o candidato declara que não tem cidadania portuguesa ou europeia e que não se enquadra nas exceções do estatuto, como morar em Portugal há mais de dois anos ou ser familiar de cidadão português ou europeu.
- Pré-requisitos, em alguns cursos: formações da área da saúde, por exemplo, podem exigir atestado médico na matrícula.
- Taxa de candidatura: na Universidade de Aveiro, por exemplo, custa € 70.
Depois da aprovação, algumas faculdades cobram uma caução para garantir a vaga, descontada depois da anuidade, e o aluno pede no Brasil o visto de estudante para Portugal, com a carta de aceitação da universidade.
Qual a nota do ENEM para estudar em Portugal?
Entre as faculdades em Portugal que aceitam o ENEM, não existe uma nota única: cada universidade, e às vezes cada curso, define o próprio mínimo. Na maioria dos casos, ele fica entre 475 e 500 pontos, mas os cursos mais disputados pedem mais. Veja alguns exemplos para 2026/2027:
| Universidade | Nota mínima do ENEM |
|---|---|
| Universidade de Coimbra | 500 pontos na média ponderada das áreas exigidas pelo curso; 700 em Medicina e Medicina Dentária |
| Universidade de Aveiro | 475 pontos em cada área do exame |
| ISEG (Universidade de Lisboa) | 700 pontos, com peso de 80% para Matemática e 20% para a redação |
| Iscte | Não há mínimo por área; a seleção combina a média do ensino médio (60%) e o ENEM (40%), e a nota final precisa chegar a 100 (de 200) |
A validade do exame também muda: a Universidade de Lisboa e o Iscte aceitam as três últimas edições, e a de Coimbra, as cinco últimas, além da edição do ano da candidatura.
Vale lembrar ainda que a nota mínima só dá o direito de concorrer. Como as vagas são limitadas, a nota do último aprovado costuma ficar bem acima disso nos cursos mais procurados.
Com cidadania europeia: Concurso Nacional de Acesso
Quem tem cidadania portuguesa ou de outro país da União Europeia entra pelo Concurso Nacional de Acesso, o mesmo dos estudantes portugueses, organizado pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).
A candidatura é feita no site da DGES: em 2026, a 1ª fase foi de 20 de julho a 6 de agosto, com resultado em 23 de agosto.
Para concorrer a um curso, é preciso cumprir todos estes requisitos:
- Equivalência do ensino médio: o diploma precisa ser reconhecido como equivalente ao ensino secundário português, com certificado emitido por escolas secundárias portuguesas ou pela Direção-Geral da Educação.
- Provas de ingresso: os exames exigidos pelo curso, como Matemática A ou Biologia e Geologia, com nota mínima definida por cada instituição, nunca inferior a 95 (em uma escala de 0 a 200). O ENEM não substitui esses exames, que são feitos em escolas portuguesas.
- Nota de candidatura mínima: a nota final combina a média do ensino médio com as notas das provas de ingresso, em pesos definidos por cada curso, e também precisa atingir o mínimo exigido.
- Pré-requisitos, quando houver: alguns cursos pedem comprovações extras, como aptidão física, nos de desporto, ou atestado médico, nos da área da saúde.
Quem tem cidadania portuguesa e vive no Brasil pode ainda concorrer pelo contingente prioritário para emigrantes e lusodescendentes, que reserva 7% das vagas da 1ª fase.
Entre as condições, é preciso ter morado pelo menos dois anos fora de Portugal e ter pai, mãe, avô ou avó portugueses que também tenham vivido no exterior nesse período.
E para estudar medicina em Portugal?
Em qualquer faculdade de medicina em Portugal, o curso é um mestrado integrado de seis anos e está entre os mais disputados do país, com ou sem cidadania europeia:
- Sem cidadania europeia: as vagas para estudantes internacionais são poucas. Em 2026/2027, a Universidade de Lisboa abriu 15, e a do Porto, 22.
- Com cidadania europeia: o aluno precisa das provas de ingresso de Biologia e Geologia, Física e Química e Matemática, e a nota de corte está entre as mais altas do concurso. Em 2025, o último colocado na 1ª fase teve 178,7 pontos (de 200) na Universidade de Lisboa e 184,7 no ICBAS.
Para exercer a profissão no Brasil, o diploma de medicina obtido em Portugal precisa passar pelo Revalida.
Quanto custa estudar em Portugal
Nas universidades portuguesas, a anuidade se chama propina, e é aí que a cidadania mais pesa no orçamento. Quem tem cidadania europeia paga a propina nacional, que tem um teto fixado pelo governo para as licenciaturas das universidades públicas.
Para estudantes internacionais, cada universidade define o próprio valor, que varia conforme o curso. Já nas universidades privadas, o preço é definido por cada instituição, costuma ser o mesmo com ou sem cidadania europeia e é cobrado em mensalidades. Veja a diferença em 2026/2027 para a graduação/licenciatura:
| Universidade | Com cidadania europeia | Sem cidadania europeia |
|---|---|---|
| Universidade de Lisboa (pública) | € 697 por ano | De € 1.500 (Direito) a € 18.000 (Medicina) por ano |
| Universidade do Porto (pública) | € 697 por ano | De € 3.500 a € 16.500 por ano, com redução de até 45% para brasileiros |
| Universidade Católica Portuguesa (privada) | € 6.000 por ano em Direito e € 19.200 em Medicina | Os mesmos valores, no caso de brasileiros |
| Universidade Lusófona (privada) | Cerca de € 450 por mês em Comunicação Aplicada | O mesmo valor |
O teto da propina nacional está congelado desde 2020, mas o governo propôs reajustá-lo pela inflação a partir de 2027/2028. Nas privadas, somam-se ainda taxas de candidatura e de matrícula: na Medicina da Católica, por exemplo, elas são de € 430 e € 1.710 no primeiro ano.
Custo de vida em Portugal
Além da propina, é preciso considerar o custo de vida, que não muda com a cidadania. No Porto, a Faculdade de Engenharia da U.Porto estima gastos médios de cerca de € 650 por mês. Um quarto em residência privada custa de € 435, se compartilhado, a € 700, se individual.
As residências da própria universidade saem por € 183,20 por mês para estudantes internacionais, mas têm poucas vagas, geralmente reservadas a alunos com menos recursos. Já o custo de vida em Lisboa tende a ser maior, porque a cidade tem os aluguéis mais caros do país.
Bolsas de estudo em Portugal
As opções de bolsa também dependem da cidadania:
- Com cidadania portuguesa: é possível pedir a bolsa de ação social da DGES, concedida conforme a renda da família. Com o novo sistema de 2026/2027, o valor médio anual deve passar de € 1.734 para € 2.660, segundo o governo. Cidadãos de outros países da União Europeia só têm direito se tiverem residência permanente em Portugal.
- Sem cidadania europeia: em geral, quem entra como estudante internacional não tem acesso à bolsa da DGES, voltada a cidadãos portugueses e a estrangeiros com residência permanente. Para esse grupo, o apoio costuma vir das próprias universidades, em forma de descontos na propina ou bolsas de mérito.
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